A área de floresta plantada do Brasil é medida do espaço. O número que o setor repete, 10,5 milhões de hectares em 2024, sai do mapeamento por imagens de satélite divulgado no Relatório Anual da Ibá. Para saber o tamanho da floresta brasileira, olhamos por satélite. Para saber o que aconteceu no talhão na semana passada, muita gente ainda abre uma planilha que alguém preencheu, exportou e mandou por email. Esse contraste diz quase tudo sobre o estado real da gestão florestal no país. Portal CeluloseIba

Tecnologia sobra. O que falta é o dado chegar a tempo.

Drone, sensor, imagem orbital e inventário geram volume de dado por hectare como nunca se viu. O problema raramente é coletar. É fazer o dado chegar a tempo na decisão.

E o tempo, nessa conta, é dinheiro. O setor teve receita bruta de cerca de R$ 240 bilhões em 2024, e o eucalipto brasileiro cresce com produtividade média perto de 36 m³/ha/ano, quase o dobro do registrado no Hemisfério Norte, segundo a Ibá. Traduzindo para quem toca a operação: o ativo cresce rápido, então cada semana de atraso para enxergar um problema custa mais caro aqui do que custaria numa floresta de clima temperado. IbaAgrolink

O mapa mente um pouquinho

O mapa do planejamento mostra o cenário ideal. O talhão mostra outra coisa: variação no ritmo do manejo, um foco de praga, uma silvicultura que pedia intervenção e não entrou no sistema central a tempo. Quando a coleta de campo demora dias para virar informação no escritório, o gestor decide olhando um retrato que já envelheceu.

A conta dessa defasagem aparece em três lugares bem concretos. O IMA projetado para o ciclo escorrega quando a anomalia no plantio é vista tarde. O planejamento de suprimento desencontra quando a base cartográfica e o volume real do inventário param de conversar. E a equipe de campo gasta hora preenchendo relatório redundante em vez de fazer manejo.

Mais drone não resolve isso

O gargalo está na arquitetura do dado. Quando o GIS funciona como uma camada isolada de visualizar mapa, e a gestão florestal roda num sistema à parte que só fala com o mapa por integração forçada, a defasagem vira estrutural. O dado de campo precisa nascer já georreferenciado, no mesmo banco onde mora o planejamento.

Foi exatamente essa a aposta por trás do EyeForest. O ForestGIS é a base territorial, o mapa onde a operação inteira se apoia. O ForestFlow é a gestão florestal que nasce dentro desse mapa, com um único banco de dado por baixo, sem integração remendada entre o que se planeja e o que acontece no campo. Quando a base é a mesma, o talhão para de viver em dois sistemas que se contradizem.

Tem um efeito colateral bom nisso. Com campo e planejamento sobre o mesmo dado, a rastreabilidade deixa de ser um exercício penoso de auditoria. O histórico do talhão fica consolidado, o que ajuda na conformidade com FSC e CERFLOR e encurta a dor de cabeça quando aparece um auditor, um banco ou uma due diligence batendo à porta.

A ironia que fecha o raciocínio

Um setor capaz de se medir por satélite ainda perde dinheiro por causa de informação que demora a subir do campo para a decisão. Sempre soubemos enxergar a floresta de longe. O desafio que sobra é enxergar o talhão a tempo de agir sobre ele.

Fica a provocação para quem vive a operação florestal: o seu gargalo está no campo, ou no caminho que o dado percorre até virar decisão? Tenho minha aposta, e ela não está no campo. Quero ouvir a sua.

Fonte: Relatório Anual da Ibá (2024).

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